sábado, 4 de abril de 2015

Compostagem



Fica a aguardar para ser riqueza nova o que parece não servir.

Preparamos compost com tempo e ajuda de bactérias e minhocas, para que as plantas tenham os mimos do ciclo que sempre se reinicia.

Um jeito de re-voltar os bens.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Artesania I



Nas noites, teço. Os sacos de lá, de fio, de teia são labores artesãs feitas com as cores, o desenho e o tamanho que cada pessoa desejar.

Trata-se de sacos amorosos, nos que sempre acompanha o carinho e a alegria com que foram elaborados.

Se quiseres o teu, é só dizer!

quinta-feira, 2 de abril de 2015

As ervas


Nascem em toda a terra: hortelã, alecrim, urtiga, coentro, erva-cidreira, orégão, salsa, tomilho, curri, arruda, calêndula, dente de leão, alho, morango, trevo... E tantas ervas.

Ontem escutei um poema a Iacyr Freitas, poeta mineiro apresentado por Concha Rousia. Falava dessas mesmas plantas, de como tinham acompanhado a sua infância. A nós entregam-nos aroma, bens, cor e condimento.

E medram livres.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Livros I


A nossa biblioteca é heterodoxa e livre. Chega da herdança, da vida, e medra nos afectos e nos interesses do Alexandre, da Iara e do Alejandro, de jeito que se reparte em quartos e vivências, ainda que forme parte de um imaginário comum.

Aumenta cada mês, ainda com o sacrifício de uma economia humilde, porque tem a importância do alimento. Canta cada dia uma história, um verso, uma reflexão.

E cheira a árvore de ramos floridos.


terça-feira, 31 de março de 2015

O lavadoiro


Lavo a roupa perto da avelaneira, com água pura de manancial.

Desliza a teia nos sulcos da madeira numa dança antiga e as minhas mãos húmidas brilham ao sol.

Cheira a sabonete artesão, e o pequeno ajuda a torcer. Depois as prendas vão para o varal sob os carvalho e abanam o tempo.

Pousa o vento  para se  humedecer.


segunda-feira, 30 de março de 2015

Sementes


Semelha um planeta povoado por luzes a nossa terra escura, semeada de riquezas.

Pementos meninos encontraram o amor do húmus tenro para medrar felices. Junto a eles, espinafres, amendoins, pencas... Tanto bem a procurar ninho!

Assim reiniciamos o ciclo. Assim renascemos.

domingo, 29 de março de 2015

Águas



A água que calma a nossa sede, a que lava as nossas mãos, conforma o rio Pontilhão, o que une o seu destino ao Ulha.

A água que nos acompanha é bem livre, alegre em cachoeiras, tranquila nos remansos, segreda nos poços, viva nos muinhos. Acariciadora, doce, abundante, amorosa.

Delícia sanadora, fonte de som.